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Carrefour planeja nova loja na José Munia

Por Gisele Bortoleto
Publicado na seção de 'Economia' do jornal 'Diário da Região' de 12 de setembro de 2007


O Carrefour planeja instalar a quarta loja do grupo francês em Rio Preto dentro do novo pólo comercial criado no início da avenida José Munia, Zona Sul da cidade. Nas imediações, foi inaugurado em agosto do ano passado o hipermercado Wal-Mart e em outubro entra em funcionamento o Plaza Avenida Shopping, com 200 lojas. O grupo estuda implantar a nova unidade em uma área de aproximadamente 10 mil metros quadrados no cruzamento da avenida José Munia com o Boulevard Zaia Tarraf. O pedido de diretrizes foi encaminhado pelo Carrefour à Secretaria Municipal de Obras no dia 1º de julho e, de acordo com o secretário Israel Cestari Júnior, foi deferido no dia 21 de agosto. "Informamos as diretrizes e, se ainda houver interesse, o Carrefour deve apresentar o projeto para o alvará de construção", afirmou. As diretrizes informa ao solicitante as normas legais para instalação do empreendimento no local.


Para o secretário municipal de Planejamento, Orlando Bolçone, a cidade vive um bom momento de atração de investimentos que ocorre em função dos plano diretor e viário. "Esses planos viabilizaram negócios não só naquela área, mas em toda a cidade em função das vias que foram e das que serão abertas", disse o secretário. "O interesse do Carrefour referenda as características do que se transformou aquela área", disse Bolçone. O grupo já tem duas lojas em Rio Preto com a bandeira Carrefour, uma no bairro Cristo Rei, às margens da rodovia Washington Luís (SP-310), e outra no Riopreto Shopping. Possui uma também com a bandeira Atacadão, comprada em abril deste ano.

A assessoria de imprensa do Carrefour foi procurada para falar a respeito, mas informou não ter conhecimento do fato.

O ranking do setor de supermercados divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em 2006 aponta o Carrefour na terceira colocação da lista das empresas do setor com o maior faturamento, com receita bruta de R$ 10,9 bilhões. Em segundo lugar aparece o grupo Wal-Mart com receita apenas R$ 1,996 bilhão. Em primeira posição, ficou o Pão de Açúcar, com faturamento bruto de R$ 16,4 bilhões

No entanto, após anunciar em abril deste ano a compra do Atacadão, o Carrefour deve assumir, em 2007, a liderança do segmento.

Cresce o encerramento de empresas

O ritmo de fechamento de empresas nos oito meses deste ano comparado ao mesmo período do ano passado foi mais intenso do que o de abertura de novos empreendimentos em 110 municípios da região de Rio Preto. Levantamento da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) mostra que de janeiro a agosto de 2006, 1.323 empresas fecharam as portas, enquanto este ano foram 1.570, aumento de 18,6%. O ritmo de abertura de empresas durante o período permaneceu estável. Foram 4.007 nos oito primeiros meses do ano passado, contra 4.023 este ano. Para o consultor empresarial Valdecir Buosi, o fechamento de empresas na região ocorre hoje porque os empresários gastam muito com tributos e pouco com a gestão dos negócios. Para ele, a elevada carga tributária, associada ao excesso de burocracia e falta de capital de giro provocaram esse aumento.

"Também havia uma expectativa muito grande com relação ao Simples Nacional que prejudicou o setor de serviços", disse. Buosi lembrou ainda que atualmente, a sobrevivência das empresas que não têm recursos próprios está ameaçada. "Hoje, a grande concorrência tem feito empresários a baixar seus preços, sem ter noção real dos seus custos de seu produto", afirmou. "Não é vergonha nenhuma fechar uma empresa e esta deve ser a melhor alternativa quando o empresário não vê possibilidade de recuperação a médio prazo", disse Buosi. Dessa forma, ele terá oportunidade de procurar uma consultoria e abrir um novo negócio, adequado à realidade.

CPF bloqueado

Para o diretor regional do Centro das Indústrias no Estado de São Paulo (Ciesp), Mauro Mano Sanches, além da alta carga tributária, muitas empresas foram obrigadas a regularizar a situação e fechar as portas porque a Receita Federal bloqueou o CPF dos proprietários que tinham a firma aberta, mas não tinham funcionários registrados. Esse também foi o motivo na opinião do administrador do escritório regional da Jucesp, José Pedro dos Santos. "O trabalho feito pela Receita Federal nos últimos anos cinco ou seis anos fez com que as empresas inativas fechassem", disse.

CNPJ em alta

Os números da Jucesp contrariam o número de pedidos de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Júridica (CNPJ). Levantamento da Receita Federal em 72 municípios da região mostra que, enquanto nos primeiros oito meses do ano passado foram feitos 2.895 pedidos de abertura de empresa, este ano, subiu para 3.945, crescimento de 36,2%.

Há outros 6 grandes empreendimentos

Pelo menos seis grandes empreendimentos já foram anunciados em Rio Preto este ano. O Grupo Pão de Açúcar deve inaugurar em novembro um supermercado com a bandeira popular CompreBem. A unidade vai ser instalada em uma área estratégica de 13 mil metros quadrados entre os jardins Planalto, Dom Lafayette e Marajó, na Zona Norte da cidade. A loja será construída no cruzamento das avenidas Domingos Falavina e Antonio Antunes Júnior, em uma área com uma população de 30 mil habitantes, O novo supermercado terá 3,2 mil metros quadrados de área construída. A rede não divulgou o valor do investimento. A Ragazzo, uma das redes de fast food italianas da capital paulista, também anunciou investimento de R$ 1 milhão em uma franquia no shopping Plaza Avenida, que será inaugurado no final de outubro. O restaurante irá gerar cerca de 70 empregos diretos, entre atendentes, cozinheiros, caixas, garçons e auxiliares geral.

Outra empresa a anunciar investimentos iniciais de R$ 300 mil para aquisição de uma área é a Cryopraxis Criobiologia Ltda- CellPraxis, onde será construído o maior banco de coleta e armazenamento de células-tronco de sangue do cordão umbilical da América Latina. O investimento total será de R$ 4 milhões, terá capacidade para o armazenamento de 60 mil amostras. O início das obras só depende de autorização do Ministério da Saúde. O empresário Luiz Carlos Bianchini também investiu R$ 1,5 milhão para inaugurar no primeiro semestre mais uma concessionária em Rio Preto, a Lumiére Multimarcas. Segundo o empresário, a abertura da concessionária surgiu a partir da necessidade de um local diferenciado para comercialização de veículos multimarcas.

Na área de alimentação, foi inaugurado em agosto no bairro Redentora, o restaurante Mirai, a primeira expansão do grupo fora de Ribeirão Preto, onde o restaurante possui três casas. O investimento foi de R$ 800 mil e gerou 30 empregos. A cidade escolhida para a expansão da rede devido ao desenvolvimento do cenário gastronômico em todas as áreas, principalmente o da culinária sofisticada, e também por representar o pólo de uma região muito importante do interior O empresário Pedro Rodrigues de Almeida também iniciou as obras da segunda fase de construção do Clube da Moda, um centro de compras no atacado. O investimento, segundo ele, não foi calculado, mas a expectativa é de 50 novas lojas devem ser inauguradas em outubro do próximo ano. O empreendimento, que já tem 71 lojas em funcionamento, prevê em total de 239, construídas em etapas. A primeira foi inaugurada em setembro do ano passado. "A procura tem sido muito grande e a previsão é de que o projeto seja concluído em três anos", disse Almeida.

Pedidos de falência têm pequena queda

O número de pedidos de falência no Fórum de Rio Preto teve uma ligeira queda e baixou de 11 para oito de janeiro a agosto deste ano com relação ao mesmo período de 2006. É o que mostra um levantamento feito pelo Cartório Distribuidor, que não dispõe de um levantamento do número de falências decretadas. A nova lei extinguiu a figura da concordata e, em substituição, surgiram as possibilidades de recuperação extrajudicial e judicial da empresa. Um único pedido foi feito nesse período no ano passado e dois de janeiro a agosto deste ano. Para o diretor regional do Centro das Indústrias no Estado de São Paulo (Ciesp), Mauro Mano Sanches, a Lei de Falências, que entrou em vigor em junho de 2005, criou a figura da recuperação judicial, mas que não funciona por causa das exigências. "Prova disso, é que esse ano, 1.570 empresas fecharam as portas sem sequer pedir falência apenas duas empresas pediram recuperação judicial", afirmou o empresário.

Empresário reclama de CNPJ

Abrir uma empresa muitas vezes é uma tarefa mais demorada do que se imagina inicialmente. Esse é o caso do empresário Airton Nogueira, que desde o dia 7 de agosto desse ano tenta inscrever seu negócio, uma empresa de manutenção de bombas de combustível, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). O pedido de inscrição foi encaminhado por meio do cadastro sincronizado na Receita Federal e Secretaria de Fazenda.

"Fiz a primeira solicitação pela internet, na página da Receita, que foi recusada e pedia para que enviasse novamente", disse Nogueira. O empresário afirma que refez o pedido por mais sete vezes segidas.

Nogueira conta que resolver procurar pessoalmente a Delegacia do órgão em Rio Preto por três vezes, mas também não conseguiu resolver seu problema. "Alegaram que, embora o programa pedisse para reenviar as informações novamente, eu não deveria tê-lo feito", afirmou o empresário. De acordo com o auditor da Receita Federal de Rio Preto Mauro José da Silva, o atraso na liberação do CNPJ requerido por Nogueria se deu em função de problemas técnicos com o cadastro sincronizado. Segundo ele, existem outros casos semelhantes na região. O problema, disse, foi solucionado ontem. Agora, o empresário precisa apresentar a documentação exigida pela Secretaria de Fazenda. "Esse problema no cadastro sincronizado atrasou em pelo menos 20 dias esse processo", afirmou o auditor.







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