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Empresa cria método para economizar

Por Carlos Eduardo de Souza
Publicado no caderno 'Economia e Negócios' do jornal 'Diário da Região' de 11 de janeiro de 2004


Cada vez é maior o número de pessoas que vivem no vermelho, gastando com despesas e pagamento de taxas de juros muito mais do que recebem mensalmente. Segundo o economista Valdecir Buosi, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 15% da população brasileira, cerca de 25 milhões de pessoas, vivem endividadas. O endividamento pessoal fez o escritório de Buosi desenvolver uma metodologia para ajudar as pessoas que estão em dificuldades financeiras. A elaboração do programa de finanças pessoais surgiu da constatação de que boa parte dos microempresários para qual o escritório presta serviço não conta com nenhuma forma de controle de astos. "Um dos princípios da contabilidade é a independência das entidades. Os micros e pequenos empresários não eparam o caixa da empresa do caixa pessoal", explica.

De acordo com pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), 71% das empresas morrem no primeiro ano de vida e somente 6,5% superam dez anos de atividade. Cerca de 91,91% das empresas no Brasil têm até nove empregados e são enquadradas como micros ou pequenas. "As microempresas no Brasil nascem por necessidade em vez de oportunidade. A pessoa perdeu o emprego e abriu um negócio para ganhar a vida ou mora numa cidade onde a oferta de serviço é insuficiente e ele abre uma microempresa para sobreviver", explica o economista. Tanto na empresa quanto em âmbito familiar, as pessoas precisam aprender a submeter gastos ao faturamento ou ao salário que recebem. Buosi explica que o apagão foi a prova de que os brasileiros têm capacidade de reduzir desperdícios e de se adequarem às novas situações.

A primeira medida para sanear endividamentos pessoais, segundo o economista, é realizar uma reunião familiar para que todos tenham consciência da situação financeira. "Seja ela boa ou ruim", afirma. O economista cita um ditado popular: "não adianta o marido pôr dinheiro pela porta se a mulher joga pela janela", reforçando a idéia de que a recuperação das finanças da casa depende da conscientização de toda a família. "Na maioria das vezes o orçamento doméstico é administrado pela mulher que faz as compras e através da manipulação dos produtos gastar ou economizar mais." A partir da conscientização da situação, devem ser estabelecidas formas de reduzir as despesas. Buosi explica que a primeira medida é conhecer os gastos e compará-los com a renda familiar. Com essa informação, é possível controlar as despesas e fazer o planejamento que possibilitará tomada de decisões.

O ideal é organizar uma tabela com receita e gastos. Um dos erros mais freqüentes cometidos pelas pessoas diz respeito a compras no crediário. "O brasileiro não analisa a taxa de juros. Ele vê se a prestação cabe no bolso", comenta. Como exemplo, Buosi cita a compra de um produto com preço de R$ 100 à vista e de R$ 120 em duas vezes. "As pessoas acham que a taxa de juros é de 20%", diz. Na realidade, o comprador dará R$ 60 na primeira parcela e financiará apenas R$ 40, que é a diferença do valor à vista. "Os R$ 20 significam 50% de juros e não 20%".

Vendedor passou a poupar R$ 600 mensais

O vendedor Manoel Floriano Silva Filho viveu quase dois anos com as finanças pessoais no vermelho. Somente com controle e planejamento deixou as dívidas para trás. No momento em que era entrevistado pelo Diário, Manoel tinha acabado de atingir uma das metas: trocou o carro ano 88 por um veículo mais novo, de 1999. Manoel nunca se preocupou em controlar gastos e, com freqüência, avançava no limite do cheque especial e do cartão de crédito. Ao casar-se, há três anos, o vendedor teve que arcar com despesas que não tinha quando morava com os pais. "Terminava quase todo mês devendo R$ 600 no cartão e no limite do banco". Ele conta tinha hábito de colocar R$ 10 ou R$ 15 de gasolina e pagava com cartão. "Nunca sabia o quanto gastava com gasolina".

Depois de constatar que estavam apenas pagando dívidas, Manoel e a esposa adotaram a metodologia elaborada pelo economista Valdecir Buosi. Criaram uma planilha com informações sobre receita e gastos e passaram a controlar de perto as despesas. A organização revelou o perfil dos gastos e permitiu que Manoel e a esposa estabelecessem cortes. "Fizemos uma nova planilha, colocando o que faltou na primeira", afirma. Os bons resultados, animaram Manoel a tomar uma atitude radical. "Não assinei a renovação do cheque especial e passei a utilizar o cartão de crédito apenas em casos de emergência". Com o dinheiro do 13º salário, ele quitou o que restava de pendências bancárias. Através do controle, as despesas caíram. "Gastávamos R$ 250 com combustível e agora gastamos R$ 150", afirma. "Eu costumava viajar quatro ou cinco vezes por mês para Votuporanga, onde moram os meus parentes. Agora, reduzi as viagens a uma vez por mês."

Mesmo sem gastos elevados com energia, Manoel passou a tirar da tomada os equipamentos eletrônicos e a desligar o bebedouro ao dormir. "Só ligo quando voltamos do trabalho". Nem o filho Luís Felipe, de 2 anos, escapou dos cortes. O menimo ganhava brinquedos sofisticados, na faixa de R$ 30, e, por ser muito pequeno, acabava quebrando a maioria em poucos dias. "Passamos a comprar brinquedos mais baratos e adequados à faixa etária do meu filho", afirma o vendedor. Também reduziram as viagens para a casa de familiares e gastos com lazer. Sem dívidas, Manoel pode estabelecer metas. "Uma delas foi comprar um carro mais novo e reduzir despesas com oficina". A renda familiar de R$ 2,2 mil hoje paga todas as despesas e ainda permite uma poupança de R$ 600. Parte desse dinheiro vai pagar o financiamento do carro e o restante será usado para reformar o quarto do filho.

Reduza os gastos

Consumo de Energia

  • Tomar banho frio nos dias mais quentes e fechar o chuveiro enquanto se ensaboa
  • Apagar luzes acesas sem necessidade e desligar aparelhos que ficam com leds (luzinhas) acessas. Cada luz consome 3,6 quilovates/hora por mês
  • Substituir lâmpadas incandescentes por lâmpadas de luz fria
  • Desligar o freezer, já que não há mais necessidade de estocar produtos (e assim consumi-los mais frescos)
Telefone

  • Seja conciso no recado e no assunto
  • Consulte lista de tarifas das operadoras e faça as ligações interurbanas nos horários em que elas custam menos
  • O telefone celular é mais caro, evite-o, sempre que possível e use o telefone fixo
Compra de Remédios

  • Dê preferência aos medicamentos genérico
  • Há diferenças de preços entre genéricos de laboratórios diferentes, pesquise
  • Discuta com o médico a possibilidade de receitar genéricos
Compras no Crediário

  • As compras no crediário sempre são acrescidas de juros. Não acredite em parcelamento sem acréscimo
  • Compare preços à vista e a prazo e confira a taxa de juros. O Código de Defesa do Consumidor obriga a informação da taxa de juros mensal e anual não calcule apenas se a prestação cabe no seu orçamento. Ao comprar em 12 vezes, por exemplo, se você adiar a compra e tiver disciplina para guardar o dinheiro é possível que consiga juntar o valor das parcelas
Consumo de Água

  • Tomar banhos mais rápidos e fechar a torneira ao escovamos os dentes e, sempre que possível, quando lavamos a louça
  • Conservar vazamentos em torneiras que ficam pingando
Roupas e sapatos

  • Compre somente e necessário, é muito comum comprarmos coisas que não precisamos
  • Evite compras por impulso, a emoção é inimiga da razão
  • Evite grifes caras. Pesquise e encontrará bom produtos com preços mais acessíveis
  • Compare qualidade e preço, nem tudo o que é mais caro é de melhor
Alimentação e higiene

  • Prepare somente a quantidade de alimentos necessários
  • Não jogue fora os alimentos que sobrarem, guarde na geladeira para consumo posterior, há muitas formas de reaproveitamento sem prejuízo do sabor e da qualidade
  • Substitua produtos de marcas mais conhecidas por produtos mais baratos e com a mesma qualidade
Telefone Celular

  • Trocar somente se for necessário
  • Pondere sobre a necessidade de compra de celular
  • Há o custo do aparelho e das ligações, mesmo que pré-pago
  • Além dos gastos com celular, normalmente, ocorre aumento do custo do telefone fixo. Cada ligação da rede fixa para celular é cobrada à parte e é mais cara
Cheque Especial

  • O cheque especial tem os juros mais caros do mercado
  • Se você não puder sair do limite do cheque especial, negocie o seu valor por um empréstimo com juros menores, consulte o seu gerente, pois há opções
  • Financiamento por Cartão de Crédito - os cartões de créditos, junto com o cheque especial têm os juros mais caros do mercado
  • Use o cartão de crédito para compras somente com o parcelamento diretamente nas lojas, portanto, a fatura do cartão deve ser paga integralmente no seu vencimento, assim não haverá juros
Empréstimos em Financeiras

  • Jamais utilize empréstimos de financeiras, prefira os bancos que têm juros menores. Confira sempre, e compare, os juros em diferentes estabelecimentos de crédito, pode haver diferenças enormes. A taxa de juros é igual ao preço de um produto, se ela for maior, o pagamento será também maior
Troca de Carros

  • A desvalorização de um carro é sempre maior no seu primeiro ano de uso
  • Procure comprar um carro bom de mercado, pois perde-se menos na hora da venda
  • O valor do IPVA vai diminuindo conforme o carro fica mais velho. Um carro do ano tem o IPVA maior do que o de um carro de mesmo modelo, porém um ano mais velho
  • O seguro também funciona com o mesmo raciocínio
  • Prefira um carro com menor consumo de combustível, abrindo mão de maior conforto ou visual mais bonito

Fonte: Reportagem







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